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Ex-militar de Corumbá, Afrodite é transexual famosa em campanha da Shell

Nascida no Paraná, ela passou a adolescência inteira em Corumbá, a 425 quilômetros de Campo Grande.

A Shell lançou a campanha com Afrodite na última segunda-feira (3). (Foto: Karime Xavier/Folhapress) A Shell lançou a campanha com Afrodite na última segunda-feira (3). (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

Afrodite Almeida Araújo, de 70 anos, é caminhoneira, pai, ex-militar, ex-pastor e transexual que acaba de estrelar uma campanha da rede de postos de combustíveis Shell. Nascida no Paraná, ela passou a adolescência inteira em Corumbá, a 425 quilômetros de Campo Grande.

A Shell lançou a campanha com Afrodite na última segunda-feira (3). O vídeo faz parte de uma ação especial a favor do mês da Diversidade. A séria desenvolvida pela rede LGBTQ+ da companhia traz uma série de quatro vídeos com histórias vividas por caminhoneiros nas estradas, trazendo à tona o lado mais inusitado e desconhecido dos profissionais na boleia.

Conforme a reportagem publicada pela à Folha de São Paulo, Afrodite conta que o pai era filiado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), mas ela, simpatizava com o regime militar. Por isso, ficou no Exército, de 1968 a 1971, atuando na fronteira Brasil-Bolívia, em Mato Grosso do Sul.

Diz que não tinha medo de morrer, mas de ser ferido, porque naquele contexto sempre tiravam a roupa dos militares. Se isso acontecesse, veriam que Afrodite estava de lingerie por baixo da farda.

De cabo do Exército a pastor da Assembleia de Deus, Afrodite manteve a identidade escondida por muito tempo, até 1994, quando apareceu pela primeira vez entre os colegas “vestida de mulher”, com tamanco, meia calça e unhas esmaltadas.

Afrodite tem uma filha e uma neta, trabalha como caminhoneira e diz que tira de letra os engraçadinhos e preconceituosos que encontra pelo caminho.Também afirma que sempre foi bem recebida no toalete feminino e os “mais valentões” são os que costumam puxá-la de canto para tentar um “algo a mais”. Mas ela afirma que nunca topou as investidas, porque nunca foi muito chegada em sexo. “Eu não quero transar nem com mulher, vou querer com homem?”, disse à Folha de São Paulo.

Aos 60 anos ela começou a tomar anticoncepcional e injeções de hormônio feminino, sem prescrição, em busca de aumentar as mamas e afinar os pelos. Mas com os efeitos colaterais veio o diagnóstico de gordura no fígado e a bronca do médico. Hoje, ela pensa em fazer cirurgia de mudança de sexo, mas sua filha acha que não precisa, afirma que a mãe já é bonita de qualquer jeito.

Confira o vídeo da campanha.

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