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“Policial não aprende a atirar na perna”, diz comandante do Choque

Jovem de 25 anos morreu na noite desta quarta-feira (27) baleado no tórax após trocar tiros com policiais do Choque da PM

Comandante do Batalhão de Choque da PM, o tenente coronel Marcus Vinícius Pollet (Marcos Maluf) Comandante do Batalhão de Choque da PM, o tenente coronel Marcus Vinícius Pollet (Marcos Maluf)

Em uma das entradas da sede do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, em frente ao verde de mata fechada do Parque dos Poderes, quadro ao fundo exibindo o símbolo do batalhão é o primeiro horizonte de quem entra no edifício. Elmo de gladiadores romanos, a força, o raio, a rapidez e a muralha de um dos maiores impérios da história, a segurança.

Batalhão com maior potencial de armamento e combate a ocorrências violentas, o choque costuma chamar a atenção quando os policiais estão em fila, arma pesada nas mãos, nas imagens que mostram ações de contenção e repressão em presídios, no de Segurança Máxima, por exemplo, mas também quando fazem tombar durante a noite.

Nesta semana, em dois dias consecutivos, dois jovens de 20 e 25 anos morreram baleados por policiais militares de Mato Grosso do Sul. Lucas Kauã Martins Vinco de Oliveira, 20, conhecido como “Diamante” (citado como membro do Primeiro Comando da Capital, o PCC), morreu no Jardim Los Angeles.

Trocou tiros, diz a polícia, com revólver 32 na mão, foi alvejado e morreu na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário. Foragido , de São Paulo, aqui estava ligado a grupos que cometiam roubos e furtos.

Na noite seguinte, história muito similar. Diones Rodrigo Saldina Cristaldo, 25 anos, baleado no tórax, tentou fugir pelos muros de uma casa no Parque Lageado, atirou contra os policiais com uma 38 e morreu no Hospital Regional.

Última opção – Comandante do Batalhão de Choque da PM, o tenente coronel Marcus Vinícius Pollet afirmou em entrevista ao Campo Grande News, nesta quinta-feira (28), que nenhum policial aprende a atirar na perna.

“A arma letal é a última alternativa tática que o policial dispõe, a arma não é utilizada, o policial não aprende a atirar na perna, no braço, ele aprende, nos cursos, sempre a atirar na área toráxica, na região toráxica. Então, o disparo por ser a última alternativa e até pra poder preservar a vida do policial ele efetua o disparo na região toráxica. Ele é treinado, ele é formado para efeturar o disparo na região toráxica”, afirmou.

O Atlas da violência 2019 elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por municípios, com dados de 2017, indica que a criminalidade diminuiu em Mato Grosso do Sul nos últimos 10 anos, com destaque para Campo Grande, uma das Capitais onde os crimes representam queda mais acentuada.

Em 2007 a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes era de 35,4 e em 2017, caiu para 18,8, diminuição de 47,1%.

A letalidade policial, por outro lado, aumentou. Informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que Mato Grosso do Sul ocupou 8ª posição no ranking de proporção de mortes decorrentes de intervenções policiais em relação às mortes violentas intencionais, com taxa 11, em 2018.

As mortes por intervenção policial aumentaram entre 2017 e 2018. Em 2017 foram 41 e em 2018, 54.

O comandante declarou que o Batalhão não mantem em conta quantos tombam e disse que o número é, “normalmente”, o que ocorre todos os anos.

“Independente da quantidade de pessoas mortas em confronto o que eu posso afirmar é que todos esses confrontos, todas essas intervenções em que teve morte, com toda certeza se dão ao aumento da ação dos marginais, então nós apenas repelimos agressões injustas. Quando o marginal, ele estiver atentando contra o Estado, contra a equipe policial, vai ser repelida essa agressão na mesma altura, portando utilizando arma de fogo, não através de negociação, através de utilização de instrumentos de menor potencial ofensivo. Por isso até que a gente não faz esse tipo de levantamento”, comentou.

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