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Só 31 escolas públicas com alunos de baixa renda mantêm excelência no ensino desde 2011, diz pesquisa

No MS apenas a Escola Municipal Pingo de Gente Polo em Nova Andradina aparece entre as 31 de todo Brasil.

Em 2011, grupo das excelentes era formado por 215 escolas; queda no Ideb e desempenho insuficiente em matemática explicam perda de ‘selo de qualidade’.

No MS apenas a Escola Municipal Pingo de Gente polo em Nova Andradina aparece entre as 31 de todo Brasil. – Foto: Google

Só 31 escolas públicas brasileiras que atendem alunos de baixo nível socioeconômico do ciclo 1 do ensino fundamental conseguiram manter a excelência do ensino ao longo de três edições consecutivas de uma pesquisa feita pela Fundação Lemann, Instituto Credit Suisse Hedging-Griffo e Itaú BBA, a partir de dados da Prova Brasil. O resultado da última análise, referente a 2015, foi divulgado nesta terça-feira (19).

No primeiro ano da pesquisa, em 2011, um grupo de 215 escolas foram consideradas excelentes. Elas estão dentro de um universo de 15 mil escolas que atendem alunos de 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Destas 215, só 54 se mantiveram neste ano, e apenas 31 apareceram nas três pesquisas (dos anos de 2011, 2013 e 2015). Só quatro delas são da rede estadual, o restante é municipal (veja a lista abaixo).

“É um número baixo, gostaríamos de ter muito mais escolas. Poucas conseguem se manter no patamar que julgamos adequado. Não sabemos se é o perfil do aluno que muda ou se é a gestão, porque a régua não é rigorosa. Houve uma queda no Ideb e estamos tentamos entender o motivo”, diz Ernesto Martins Faria, coordenador do estudo.

O estudo aponta que, entre 2011 e 2015, mais de 80% das escolas que perderam a condição de excelência tiveram também uma diminuição no Ideb. O segundo critério que mais contribuiu para a queda de escolas no topo da qualidade foi o desempenho insuficiente em matemática, o que ocorreu com 63% dos alunos. Outros 35% tiveram desempenho insuficiente em língua portuguesa.

O mapeamento tem como base a Prova Brasil, um exame que avalia os conhecimentos dos alunos em matemática e língua portuguesa. O resultado do desempenho é um dos componentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Anos finais do fundamental

O número de escolas excelentes cai muito quando se avalia os anos finais do segundo ciclo do ensino médio. Apenas dez bateram os critérios da pesquisa em 2013 e 2015 (veja a lista abaixo). Nesta fase, que compreende do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, o Brasil também não alcançou as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Em 2013, o total de 235 escolas foi classificado como excelente, mas em 2015 apenas 61 dessas continuaram no mesmo patamar de qualidade.

“No fundamental 2 os critérios foram menos exigentes. Acho que é escasso o número de escolas com desempenho satisfatório. Não sabemos se o problema é a formação de professor, se é a distância entre aluno ou professor”, afirma Ernesto Martins Faria.

Um dado alarmante é que em muitos estados das regiões Norte e do Nordeste não há uma escola sequer com bons resultados nos anos finais do ensino fundamental. “Isso mostra que, embora algumas regiões sejam destaque [Ceará, por exemplo], ainda há muita desigualdade no país. Em algumas regiões não há nenhuma escola com resultado aceitável que seja referência e sirva de inspiração ao entorno”, diz Ernesto.

Ceará tem maior número de escolas contempladas

O mapeamento aponta que o estado do Ceará tem o maior número de escolas de baixa renda classificadas como excelentes. São 84 unidades que atendem alunos dos anos iniciais, com destaque para a cidade de Sobral, onde estão 19 escolas. Outras 31 escolas cearenses para estudantes do segundo ciclo do fundamental de baixa renda estão na lista de excelência – seis delas, em Sobral.

Para os anos iniciais do ensino fundamental, independente do nível socioeconômico, outros três estados se destacam: São Paulo, Paraná e Minas Gerais. São Paulo agregra também o maior número de escolas excelentes com alunos de alta renda (21).

Em contrapartida, em estados como Amapá, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe não foram identificados nenhum bom exemplo de escola de anos iniciais, independente da condição socioeconômica dos alunos. Nos anos finais, no Acre, no Alagoas, no Amapá, no Mato Grosso, na Paraíba, no Rio Grande do Norte, na Roraima, em Rondônia, em Sergipe e no Tocantins também não foram classificadas escolas exemplares.

Escolas que atendem aos critérios ‘excelência com equidade’ em 2011, 2013 e 2015

ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL (31 escolas)

Escola – estado – cidade – rede

Professor Nazaré Varela – Amazonas – Carauari – estadual

Dinorah Ramos – Ceará – Sobral – municipal

Mocinha Rodrigues – Ceará – Sobral – municipal

Raimundo Pimentel Gomes – Ceará – Sobral – municipal

Emeferico Veríssimo – Mato Grosso – Lucas do Rio Verde – municipal

Couto de Magalhães – Goiás – Corumbaíba – municipal

Evangélica Monte Moria – Goiás – Goianésia – municipal

Pingo de Gente Polo – Mato Grosso do Sul – Nova Andradina – municipal

Elisa Rabelo de Mesquista – Minas Gerais – Campo do Meio – municipal

João Narciso – Minas Gerais – Congonhas – municipal

Paulo Barbosa – Minas Gerais – Formiga – municipal

Padre Waldemar Antônio de Pádua Teixeira – Minas Gerais – Itaúna – municipal

José Teotônio de Castro – Minas Gerais – Lagoa da Prata – estadual

Frei Orlando – Minas Gerais – Morada Nova de Minas – estadual

Monsenhor Sebastião Vieira – Minas Gerais – Paraisópolis – municipal

Frei Leopoldo – Minas Gerais – Patos de Minas – municipal

Professor José Luiz de Araújo – Minas Gerais – Rio Paranaíba – estadual

Iracy José Ferreira – Minas Gerais – São Gotardo – municipal

Professora Maria Aparecida Passos – Minas Gerais – São José da Barra – municipal

Augusto Werner – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal

Duque de Caxias – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal

Erico Veríssimo – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal

Monteiro Lobato – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal

Olavo Bilac – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal

Osvaldo Cruz – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal

Vinicius de Moraes – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal

Idalina P Bonatto – Paraná – Medianeira – municipal

São Francisco de Assis – Paraná – Siqueira Campos – municipal

Presidente Tancredo Neves – Pernambuco – Tupanatinga – municipal

Tobias Barreto – Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – municipal

Professor Jair Luiz da Silva – São Paulo – Junqueirópolis – municipal

Escolas que atendem aos critérios ‘excelência com equidade’ em 2013 e 2015

ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL (10 escolas)

Escola – estado – cidade – rede

Aquiles Peres Mota – Ceará – Carnaubal – municipal

Inácio de Barros Neto – Ceará – Russas – municipal

Francisco Monte – Ceará – Sobral – municipal

Armando Ziller – Minas Gerais – Belo Horizonte – municipal

Eduardo Senedese – Minas Gerais – Juruaia – estadual

João Nunes Ferreira – Minas Gerais – Lambari – estadual

Povoado Lagoa de Baixo – Minas Gerais – Rubelita – estadual

Rodrigues Alves – Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – municipal

Rotary – Rio Grande do Norte – Mossoró – municipal

Professora Hebe de Almeida Leite Cardoso – São Paulo – Novo Horizonte – municipal

Por Vanessa Fajardo, G1

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